A Câmara Municipal de Guaramiranga virou centro de uma crise política e institucional na última quinta-feira (18) após rejeitar o pronunciamento de Lícia Rios, vítima de violência doméstica, que pedia o “direito de fala” antes da votação de um requerimento de investigação contra seu ex-companheiro, que é vereador na atual legislatura. A decisão do plenário gerou forte indignação e mobilizou lideranças regionais. O clima de tensão aumentou com a chegada da denunciante ao prédio do Legislativo, momento em que o parlamentar acusado se retirou das dependências da Casa. A Mesa Diretora liberou a palavra a Lícia Rios apenas após a votação, quando o resultado já estava definido.
Presente na galeria do plenário, Clara Hermínia classificou a postura dos parlamentares como um grave retrocesso na agenda de direitos humanos. Ela enfatizou que silenciar uma mulher em ambiente institucional enfraquece o combate à violência de gênero e cobrou acolhimento do poder público. O episódio ganhou repercussão digital imediata. A ex-prefeita Roberlândia Ferreira manifestou-se publicamente em solidariedade à Lícia Rios e criticou a postura dos parlamentares e a postura da parlamentar Nivia do Nenê. "Isso muito.me entristece por que lá no meio desse vereadores tem uma vereadora que é mãe, que é filha e que se diz representante das mulheres guaramiranguenses, e que logo mais estará a frente da casa da mulher"
O meu direito de fala foi retirado assim que informei que o espaço seria ocupado pela primeira-dama do município de Palmácia. Afirmou Clara Hermínia.
Bancada feminina:
A única vereadora mulher da atual legislatura votou com a maioria contra a instauração do processo investigativo, gerando forte repúdio e repercussão nas redes sociais. O caso reacende o debate técnico sobre o corporativismo institucional, a atuação de comissões de ética e a eficácia de medidas protetivas em crimes de gênero
